"Você
é a onda de calor, a maré do afeto, o tsunami que não deixa
sobrevieventes pelo caminho. Você é a água geladinha que dá só
pra molhar os pés, porque a água na cintura já se torna perigosa.
Suas mãos na minha cintura se tornam perigosas. E como um barquinho
na tempestade, imersa em teus olhos, me deixo afundar. Em transe, em
estado de anomalia, maluquinha da silva, te busco. E te procuro em
lugares em comum, nas ruas da cidade, na tua voz chamando meu nome.
Te espero na porta lá de casa, e ainda digo "vamos lá, pode
entrar, ondinha". Mas você não é onda, você é gigante e
forte feito maremoto. Você não entra: invade. Invade a casa, o
pensamento, a razão, o coração. Até tudo ficar imerso no teu mar,
até eu querer me perder pra sempre no cantinho do seu sorriso
safado. E lá vem você de novo me chamando pra bater um papo comum
pra saber como eu tô. Pra descobrir se você ainda tem o poder
sobenatural de arrancar meu medo, de me fazer andar aos pulinhos e te
querer muito. E te querer sempre. E sentir falta do seu cabelo
bagunçado, das suas mãos desajeitadas e dos olhos analíticos super
curiosos a me observar. Sim, você consegue fazer isso. Um aviso,
então: não precisa mais tentar, você já sabe que dará certo.
E
em todas as vezes você me fez feliz. Em todos os momentos, aquele
carinho nas costas e o cheirinho no pescoço se sentiram dignos de
serem exibidos mundo afora. Eu, com sorriso quilométrico de orelha a
orelha, mergulhando no tsuname como patinha boba. Levando os maiores
caldos da história da humanidade, me afogando um pouquinho mais a
cada dia na tua água, e sempre à postos quando ouço tua voz me
chamando. E eu te juro que nesses dias todos a única coisa que eu
mais queria era ser menos sensível com você, e mais sensível
comigo. Fugir dos teus braços como se foge de macumba, fugir da
perdição da tua boca pra afastar toda a ressaca do dia seguinte.
Sair daqui sem me embolar no arrastão que você faz dentro de mim,
sem levar pedaços meus a cada baque mais forte das tuas ondas no meu
peito. Mas colabora, vai, queridinho. Tá chegando o fim do ano, a
época de pular as sete ondinhas e de fazer um pedido a cada onda. Me
deixa pular a sua também, transpassar e fazê-la ir embora. Me deixe
passar ilesa por ela, pra que na virada do ano um dos meus pedidos
não seja te ter novamente. Colabora, deixa eu ser corajosa, deixar
pra trás, e seguir em frente. Mais ondas virão, eu tenho certeza.
Então deixe de ser tempestade, e me ajude a fazer do maremoto uma
onda sutil. Tudo o que dói, dói porque é capaz de mexer lá no
fundo da gente. Que você se torne arredio e escorra como água nos
dedos, pra enfim me fazer desistir de te segurar. E que você também
não sinta mais falta da minha preocupação persistente pra que você
seja feliz. Que meu pedido nesse novo ano seja pra que as águas se
renovem numa paz plena de felicidade. Me deseje coisas boas também:
Deus me emprestará Seus olhos pra te vigiar e me contar se você
está sorrindo da maneira que prometeu, pra eu poder seguir em
frente. Sem culpa."
E COMO NESTA VIRADA DE ANO NÃO PULEI A SUA ONDA... TODOS OS FATOS ME LEVAM A CRER QUE ESTA TSUNAMI CONTINUARÁ TENTANDO A ME ENSINAR A NADAR...
E COMO NESTA VIRADA DE ANO NÃO PULEI A SUA ONDA... TODOS OS FATOS ME LEVAM A CRER QUE ESTA TSUNAMI CONTINUARÁ TENTANDO A ME ENSINAR A NADAR...

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